quarta-feira, 11 de julho de 2007

Quem sabe faz a hora...




Já estamos próximos de mais uma campanha salarial. Com isso começam, no movimento sindical, as avaliações e especulações sobre o melhor caminho a se seguir na tentativa de se obter resultados satisfatórios para a categoria bancária. Uma coisa é certa, está comprovado: os bancos, com crise ou sem crise, sempre lucram. Neste período de estabilidade econômica, ditada pelas políticas do governo Lula, seria de se esperar que não lucrassem tanto. Mas até nisso os banqueiros contrariam a lógica: nunca lucraram tanto!

As formas de obtenção de lucros estão alicerçadas em pilares que determinam a maior exploração dos bancários, com metas abusivas, assédio moral, dupla função, extrapolação de jornada, reduzido contingente de mão de obra nas agências e a terceirização de várias atividades. Tal situação conflita com a exigência de nível superior para o ingresso na carreira bancária, até porque não há um quadro de carreira de modo que possa esperançar o bancário a prosseguir de fato em uma carreira ao ingressar no banco, como já houve em outros tempos. O que se tem hoje são vendedores mal remunerados e excessivamente cobrados. Na outra ponta estão os clientes, cada vez mais tarifados e cada vez mais colocados para fora das agências, induzidos ao uso de “meios alternativos”, como salas de auto-atendimento, internet, padarias, correios, supermercados, etc...

Se a categoria bancária sofreu ao longo de anos uma retração no seu tamanho, tarefas que antes eram suas, estão, em velocidade crescente, passando para outras mãos; as financeiras são um exemplo disso. E o movimento sindical não conseguiu, na mesma velocidade que os bancos caminharam, acompanhar a migração dos bancários para este setor e representá-los, como bancários que são.

Embora os lucros dos bancos tenham crescido tanto, não fomos capazes de fazer acompanhar este crescimento para os nosso salários. Não houve a esperada transferência de renda para quem a produziu. Os bancos, mesmo com lucros inimagináveis, insistem em nos pagar mal.

Nós, diferentemente dos banqueiros, que concentram as suas forças e estabelecem suas estratégias, nos dividimos em disputas das mais variadas, algumas importantes e necessárias e outras que mais se prestam a massagear egos, nos dividindo, quando precisamos de unidade; nos enfraquecendo, quando precisamos ser fortes. Ouvir mais as nossas bases faria bem.

Estes são apenas alguns dos componentes que certamente farão parte dos debates que se seguirão até a campanha salarial deste ano. Mas, tenho a impressão, e espero estar errado, de que perdemos uma boa oportunidade de progredir, aproveitando a mudança do governo FHC para o governo Lula. Tanto que fizemos, tanto que trabalhamos para mudar politicamente este país e eleger Lula e hoje, na minha avaliação, estamos de longe olhando. Não interagimos através das nossa ações como instrumento de pressionar e disputar os projetos e espaços. Não falo de ocupar cargos no governo, o que acho legítimo, mas o nosso espaço enquanto movimento sindical e referência no movimento social. Como força viva que se move em busca dos seus propósitos, de seus sonhos, de suas utopias. O que não fazemos, ou fazemos de forma tímida, os setores que sempre deram as ordens neste país continuam a fazê-lo. Estes, organizam-se através de bancadas e lobistas e disputam seus espaços.

Percebo que vários sindicatos, e julgo isso uma profunda fraqueza nossa, não querem discutir “política”, como se a palavra “política” estivesse distante do seu cotidiano e não fosse a força motriz das possíveis mudanças.

Temos que reavaliar nossos métodos, estabelecer objetivos de médio e longo prazo e avançar politicamente na nossa organização. O momento é este. Depois, de nada adiantará dizer que perdemos a oportunidade de montar quando o cavalo estava selado e passava à nossa frente.

Cláudio Damião Santos Pereira (Presidente do Sindicato dos Bancários de Nova Friburgo)

Um comentário:

paulinho disse...

Claudio,

Parabéns por essa bela iniciativa da diretoria do sindicato. Só falta um editorial do responsável pela imprensa falando da importância do primeiro blog sindical bancário. Ficamos no aguardo.